A inclusão educacional no ensino superior de alunos com TEA em Universidades Federais

Autores

  • Luiz Carlos Leite Universidade Federal de Itajubá
  • Paloma Alinne Alves Rodrigues

Palavras-chave:

Matemática, Autismo, Inclusão, Ensino de matemática, Ensino superior

Resumo

Este trabalho tem como objetivo refletir criticamente sobre a inclusão educacional de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior, a partir das vivências de três discentes dos cursos de Matemática (bacharelado e licenciatura) da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI-MG). O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação social, a flexibilidade comportamental e os modos de interação com o mundo (DSM-5, 2013). Embora as legislações brasileiras, como a Lei nº 12.764/2012 e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), garantam o direito à educação inclusiva, a realidade no ensino superior ainda é marcada por obstáculos institucionais e pedagógicos que comprometem a permanência e o bem-estar dos estudantes autistas. Como ponto de partida, foi realizado um levantamento bibliográfico em nove periódicos científicos da área de Educação e Ciências com estratos Qualis A1 a B1, utilizando os descritores “autismo”, “ensino superior”, “ensino de matemática” e “inclusão educacional”. Foram encontrados mais de 2.000 artigos, mas menos de 15 abordavam a inclusão de estudantes com TEA, e apenas uma fração deles tratava da realidade universitária. Essa lacuna acadêmica foi determinante para a escolha do tema desta pesquisa, evidenciando a invisibilidade desse grupo no meio científico e a urgência de ampliar as discussões sobre suas experiências. Em periódicos como Ciência & Educação (A1), ARETÉ (A1) e Alexandria (A2), a predominância ainda é de enfoques voltados ao ensino básico e abordagens clínicas, o que reforça a ausência de dados que problematizem a realidade do ensino superior inclusivo. Ao dar visibilidade às trajetórias dos estudantes com TEA da UNIFEI, o presente estudo contribui para a produção de conhecimento situada e sensível às singularidades da neurodiversidade no contexto universitário. Os dados reforçam que a inclusão não pode se limitar à matrícula: ela requer práticas pedagógicas adaptadas, acolhimento institucional, políticas de apoio e, sobretudo, escuta ativa. Conclui-se que pensar um ensino superior inclusivo é reconhecer a pluralidade de formas de aprender e existir, e assumir o compromisso ético com a equidade no cotidiano universitário.

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Publicado

22.04.2026