A CIÊNCIA A SERVIÇO DA EXCLUSÃO: UMA ANÁLISE DO RACISMO CIENTÍFICO NA HISTÓRIA
Palavras-chave:
Resumo
O racismo se configura de maneiras distintas em cada país no Brasil, por exemplo, manifesta-se por mecanismos de exclusão e desigualdade de poder, contribuindo para a naturalização dessa discriminação. A persistência dessas barreiras se reflete em altos índices de desigualdade, com a sub-representação de negros e indígenas em cargos de liderança. No campo científico, destaca-se a visão eugênica de Francis Galton (1822–1911), que propunha o "aperfeiçoamento da raça humana", classificando uma raça como superior à outra com base em fatores biológicos. Essa lógica foi usada para legitimar a ideia de que certos povos nasceram para servir. De natureza bibliográfica, esta pesquisa analisou como a ciência, ao longo da história, contribuiu para a legitimação e perpetuação do racismo, evidenciando tanto a construção histórica desse processo discriminatório quanto a exclusão sistemática de pesquisadores negros e epistemologias não ocidentais. Com abordagem qualitativa, buscou-se entender como, nos últimos anos, o racismo tem sido retratado na ciência. A investigação foi realizada em revistas da área de ensino em ciências, a partir de Qualis A1, A2, A3 e B1, utilizando os termos “Racismo”, “Racismo na Ciência” e “Racismo Científico”. A partir disso, localizou-se oito trabalhos e, em seguida, foi realizada a leitura dos resumos. Feito isso, elaborou-se três categorias: (A) se o artigo trata diretamente do racismo na ciência, (B) se utiliza autores negros ou teorias decoloniais, e (C) quais contribuições apresenta. Seis trabalhos contemplam todas as categorias, somente dois contemplam parte delas. Os trabalhos retratam como o racismo se propagou no campo científico, alguns mais teóricos e outros mais investigativos, mas contribuindo significativamente. Diante do exposto, foram identificados pontos que ajudam a compreender o desenvolvimento do racismo científico, revelando que ele não se fundamenta em bases biológicas, mas sim em construções sociais voltadas ao domínio. Políticas raciais sustentadas por falsos progressos serviram para ocultar a centralidade da África na história. Os dados também demonstraram que a ciência moderna, em áreas como biologia, antropologia física e medicina, foram usadas para justificar hierarquias raciais. O conceito de Amefricanidade, criado por Lélia Gonzalez (1935–1994), resgata a resistência e a ancestralidade africana nas Américas. Já o letramento racial, como ferramenta transformadora, contribuiu para a formação de sujeitos críticos, capazes de combater o racismo em qualquer esfera social. Concluímos que é urgente desenvolver um olhar mais crítico sobre a ciência, reconstruindo sua história com valorização dos povos negros e indígenas, rumo a uma sociedade verdadeiramente representativa.
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