A HISTÓRIA DA QUÍMICA NO PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO DE 2021: UMA ANÁLISE DOS LIVROS DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA PARA O ENSINO MÉDIO
Palavras-chave:
Base Nacional Comum Curricular, Ciências da Natureza, Ensino Médio, História da Ciência, Modelos AtômicosResumo
A análise dos livros didáticos do PNLD 2021 mostrou que a História da Ciência (HC) para o ensino dos modelos atômicos é tratada de forma superficial e simplificada, com foco em dados biográficos mínimos e uma visão linear e descontextualizada da evolução científica. Nos livros, os cientistas são apresentados apenas com suas datas de nascimento e falecimento, sem explorar suas características pessoais ou o contexto histórico em que suas descobertas ocorreram. Exemplos disso incluem a menção a Bohr e Rutherford, que aparecem como figuras isoladas e sem uma humanização que permita a identificação dos estudantes com suas trajetórias.
Além disso, as ideias científicas são descritas de forma simplificada, sem detalhamento dos experimentos ou das controvérsias que marcaram a formulação dos modelos atômicos. A evolução da ciência nos livros segue uma abordagem linear e progressiva, sem destacar os debates ou as limitações das teorias ao longo do tempo. Essa visão reduz a ciência a um processo contínuo e sem rupturas, o que desconsidera as disputas e os desafios que caracterizam o desenvolvimento do conhecimento científico.
Os cientistas são retratados como indivíduos isolados, com pouca ou nenhuma referência ao papel da comunidade científica na construção do conhecimento. Esse padrão reforça a visão do “cientista-gênio” e exclui a colaboração que é essencial no processo científico. Também há uma falta de diversidade nos materiais históricos utilizados, com a maior parte das informações sendo transmitida por imagens de cientistas, sem o uso de fontes primárias ou documentos históricos que poderiam oferecer uma visão mais crítica e profunda. Por fim, a contextualização histórica nos livros se restringe quase que exclusivamente ao contexto científico, sem integrar os fatores sociais, políticos ou econômicos que influenciam a prática científica. Tais limitações impedem uma compreensão histórico-social da produção do conhecimento científico, alinhada com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), que prevê competências e habilidades desta natureza que devem ser desenvolvidos pelos estudantes da Educação Básica.